Eu, eu e eu, o meu umbigo, o drama da emigração e talvez ainda uns pozinhos de feminismo.
"People of the Whale" - Linda Hogan
O livro escolhido para ler e discutir em Abril no bookclub de que faço parte foi o "People of the Whale" da Linda Hogan.
A autora nativa-americana é mais conhecida pelos seus livros de poesia do que pelos romances, sempre com os dramas do povo índio como centro das narrativas. A escrita soou-me tão diferente e tão bonita neste livro (ok, às vezes um pouco repetitiva...), que o li particularmente devagar, a saborear cada frase! Mas Hogan conseguiu transportar-me para a reserva a norte de Seattle e por umas semanas eu estive lá...
O livro está dividido em 3 partes: a 1a é sobre a magia da harmonia Homem--Natureza, sobretudo quando a sobrevivencia de toda uma aldeia depende dessa relação. A 2a parte parte descreve a vida de Tom na guerra e depois a sua vida enquanto cultivava arroz. A última parte é sobre as tradições do povo indígeno, o respeito pela Natureza, as canções e interacções, o processo de cura...
Gostei imenso do livro e a magia da primeira parte que descreve Ruth como um símbolo da harmonia entre a aldeia e o mar deixa de fazer parte das outras partes do livro, que fica mais cru e menos poético. O livro definitivamente não é sobre Thomas, como infelizmente indica a sinopse, Ruth é definitivamente a heroína do livro! E que heroína!
A autora nativa-americana é mais conhecida pelos seus livros de poesia do que pelos romances, sempre com os dramas do povo índio como centro das narrativas. A escrita soou-me tão diferente e tão bonita neste livro (ok, às vezes um pouco repetitiva...), que o li particularmente devagar, a saborear cada frase! Mas Hogan conseguiu transportar-me para a reserva a norte de Seattle e por umas semanas eu estive lá...
O livro está dividido em 3 partes: a 1a é sobre a magia da harmonia Homem--Natureza, sobretudo quando a sobrevivencia de toda uma aldeia depende dessa relação. A 2a parte parte descreve a vida de Tom na guerra e depois a sua vida enquanto cultivava arroz. A última parte é sobre as tradições do povo indígeno, o respeito pela Natureza, as canções e interacções, o processo de cura...
Gostei imenso do livro e a magia da primeira parte que descreve Ruth como um símbolo da harmonia entre a aldeia e o mar deixa de fazer parte das outras partes do livro, que fica mais cru e menos poético. O livro definitivamente não é sobre Thomas, como infelizmente indica a sinopse, Ruth é definitivamente a heroína do livro! E que heroína!
Women's Prize for Fiction, 2017
Este fim-de-semana foi revelada a lista dos finalistas do Prémio Baileys 2017, ou o original "Women's Prize for Fiction". Este prémio de 30.000£, que já existe há mais de 20 anos, é dedicado à ficção escrita em inglês por mulheres e contou este ano com um recorde de submissões (189 livros).
Aqui fica a lista das autoras finalistas:
- The Power by Naomi Alderman (Viking)
- Hag-Seed by Margaret Atwood (Hogarth)
- Little Deaths by Emma Flint (Picador)
- The Mare by Mary Gaitskill (Serpent’s Tail)
- The Dark Circle by Linda Grant (Virago)
- The Lesser Bohemians by Eimear McBride (Faber & Faber)
- Midwinter by Fiona Melrose (Corsair)
- The Sport of Kings by CE Morgan (4th Estate)
- The Woman Next Door by Yewande Omotoso (Chatto & Windus)
- The Lonely Hearts Hotel by Heather O’Neill (riverrun)
- The Essex Serpent by Sarah Perry (Serpent’s Tail)
- Barkskins by Annie Proulx (4th Estate)
- First Love by Gwendoline Riley (Granta)
- Do Not Say We Have Nothing by Madeleine Thien (Granta)
- The Gustav Sonata by Rose Tremain (Chatto & Windus)
Qual é que vocês acham que vai ganhar?
Aqui fica a lista das autoras finalistas:
- The Power by Naomi Alderman (Viking)
- Hag-Seed by Margaret Atwood (Hogarth)
- Little Deaths by Emma Flint (Picador)
- The Mare by Mary Gaitskill (Serpent’s Tail)
- The Dark Circle by Linda Grant (Virago)
- The Lesser Bohemians by Eimear McBride (Faber & Faber)
- Midwinter by Fiona Melrose (Corsair)
- The Sport of Kings by CE Morgan (4th Estate)
- The Woman Next Door by Yewande Omotoso (Chatto & Windus)
- The Lonely Hearts Hotel by Heather O’Neill (riverrun)
- The Essex Serpent by Sarah Perry (Serpent’s Tail)
- Barkskins by Annie Proulx (4th Estate)
- First Love by Gwendoline Riley (Granta)
- Do Not Say We Have Nothing by Madeleine Thien (Granta)
- The Gustav Sonata by Rose Tremain (Chatto & Windus)
Qual é que vocês acham que vai ganhar?
Happy Darwin´s Day!!
Charles Darwin nasceu no dia 12 de Fevereiro de 1809. Foi o primeiro biólogo (evolucionista) a pôr de lado crenças religiosas e a construir a sua teoria com base em factos e observações da natureza.
O seu livro "A Origem das Espécies" publicado no final do século XIX contém a Teoria da Evolução, onde Darwin rejeita as ideias do criacionismo bíblico e defende que as espécies evoluíram de forma natural ao longo de milhares de anos, onde os mais fortes e rápidos sobreviviam por se adaptarem ao meio onde viviam, ao contrário dos mais fracos e inadaptados que acabavam por morrer. A este processo deu o nome de "Selecção Natural".
No livro, Darwin retratou apenas animais e plantas (deixando os humanos de lado, uma opção bastante inteligente...).
Este cientista merece especial destaque, não só porque provocou uma grande mudança no paradigma científico, como também na sociedade da época. O mais recente livro de Randall Fuller "THE BOOK THAT CHANGED AMERICA -- How Darwin’s Theory of Evolution Ignited a Nation" retrata outras importantes consequências deste livro, quando por exemplo chegou às mãos de abolicionistas em plena guerra civil americana.
O seu livro "A Origem das Espécies" publicado no final do século XIX contém a Teoria da Evolução, onde Darwin rejeita as ideias do criacionismo bíblico e defende que as espécies evoluíram de forma natural ao longo de milhares de anos, onde os mais fortes e rápidos sobreviviam por se adaptarem ao meio onde viviam, ao contrário dos mais fracos e inadaptados que acabavam por morrer. A este processo deu o nome de "Selecção Natural".
No livro, Darwin retratou apenas animais e plantas (deixando os humanos de lado, uma opção bastante inteligente...).
Este cientista merece especial destaque, não só porque provocou uma grande mudança no paradigma científico, como também na sociedade da época. O mais recente livro de Randall Fuller "THE BOOK THAT CHANGED AMERICA -- How Darwin’s Theory of Evolution Ignited a Nation" retrata outras importantes consequências deste livro, quando por exemplo chegou às mãos de abolicionistas em plena guerra civil americana.
Elizabeth is missing
Emma Healey é a autora deste livro tão desolador...
Maud tem 82 anos e sofre de Alzheimer. A sua melhor amiga Elizabeth está desaparecida e ela faz tudo o que pode para a encontrar... Contudo, o desaparecimento de Elizabeth traz-lhe à (fraca) memória o desaparecimento da sua irmã Sukey há quase 70 anos e as duas histórias, passado e presente, misturam-se na sua cabeça...
Pessoalmente senti-me muito afectada pelas descrições de como Maud geria o seu dia-a-dia sofrendo da doença de Alzheimer... lembrei-me da confusão que era falar com a minha avó, de como ela se esquecia de tudo o que lhe diziamos 2 segundos depois, mas era capaz de contar e recontar com bastante detalhe alguns episódios da sua vida quando era miúda...
Dei por mim a reduzir o meu yoga matinal para 45 minutos em vez de 1h, só para poder ler mais um bocadinho desta intriga... :-) recomendo!
Maud tem 82 anos e sofre de Alzheimer. A sua melhor amiga Elizabeth está desaparecida e ela faz tudo o que pode para a encontrar... Contudo, o desaparecimento de Elizabeth traz-lhe à (fraca) memória o desaparecimento da sua irmã Sukey há quase 70 anos e as duas histórias, passado e presente, misturam-se na sua cabeça...
Pessoalmente senti-me muito afectada pelas descrições de como Maud geria o seu dia-a-dia sofrendo da doença de Alzheimer... lembrei-me da confusão que era falar com a minha avó, de como ela se esquecia de tudo o que lhe diziamos 2 segundos depois, mas era capaz de contar e recontar com bastante detalhe alguns episódios da sua vida quando era miúda...
Dei por mim a reduzir o meu yoga matinal para 45 minutos em vez de 1h, só para poder ler mais um bocadinho desta intriga... :-) recomendo!
The Casual Vacancy
Como fã do Harry Potter, tinha muita curiosidade em saber como é que a J. K. Rowling escreve para adultos. E então atirei-me de cabeça para este (audio)livro gigante algures em Novembro do ano passado...
No primeiro terço (as primeiras 6h de audiobook) quase ia morrendo de tédio, a história não me puxou nadinha e eu estive quase para desistir. Mas fui ouvindo enquanto ia para o trabalho de bicla e acabei por me entusiasmar no 2o terço. O último já li bastante rápido e acabei por gostar do livro.
A J. K. Rowling desenvolve bem os seus personagens e nunca desilude relativamente ao enredo, mas o drama desta cidade / vila não precisava de ser contado ao longo de 18h... ou 500 páginas...
É demasiado longo!
No primeiro terço (as primeiras 6h de audiobook) quase ia morrendo de tédio, a história não me puxou nadinha e eu estive quase para desistir. Mas fui ouvindo enquanto ia para o trabalho de bicla e acabei por me entusiasmar no 2o terço. O último já li bastante rápido e acabei por gostar do livro.
A J. K. Rowling desenvolve bem os seus personagens e nunca desilude relativamente ao enredo, mas o drama desta cidade / vila não precisava de ser contado ao longo de 18h... ou 500 páginas...
É demasiado longo!
Cheguei ao fim do "The Cranes Dance"...
... fechei o livro e os olhos, respirei fundo e fiquei assim uns minutos a pensar no drama psicológico que ficou por ali...
Não me parece que, se ler este livro outra vez numa altura diferente da minha vida, lhe vá dar tanta importância como dei agora. Mas isto de ler é mesmo assim, depende do leitor e da fase da vida em que é lido.
Eu já tinha dito que a escrita é absolutamente fantástica, que me senti a dançar em pontas nas descrições, mas também há muitas referências às limitações que as jovens mulheres / dançarinas se impõem, algumas das frases lembram as diferenças de oportunidades para cada um dos géneros...
Foi-me aberta apenas uma pequena brecha na cortina das obcessões e perfeccionismos, mas foi o suficiente para me assustar e intrigar. Quero saber mais e ler mais sobre isto, mas só depois de digerir este drama psicológico entre estas duas irmãs bailarinas que são tão apaixonadas pela dança e pelo ballet que nem imaginam como sobreviveriam se a dança deixasse de fazer parte das suas vidas...
PS - descobri que entregar um livro com 1 dia de atraso na biblioteca dá direito a 0,20€ de multa.
Os melhores de 2016
2016 começou por ser excelente em termos de leituras, lembro-me de ter 11 livros lidos no final de Fevereiro!
Mas depois emperrei, perdi a vontade, perdi mais tempo no BookTube e no Instagram do que a ler.
Quando veio a mudança de França para a Holanda, tudo o que eu queria era ter a certeza que a mobília não se tinha perdido algures na Europa e arranjar um apartamento para estabilizar.
Novo apartamento, novo trabalho, nova vida... Tive de esperar que uma nova rotina se instalasse e nessa altura já eu ia com 6 livros de atraso e estavamos em Novembro!
Mas aqui estão os meus "melhores" de 2016:
Mr. King continua a ser um génio da escrita! O homem lê muito, faz imensa pesquisa e ninguém consegue agarrar um leitor aos seus livros como ele...
Incrível!
Este livro retrata um professor de inglês que descobre uma forma de voltar atrás no tempo e decide tentar impedir a morte de Kennedy. Adorei o livro, adorei as descrições do Maine nos anos 50 e 60, adorei a forma progressiva como nos aproximamos do dia 22 de Novembro de 1963 e o quanto aprendi em relação à história dos EUA. Nas últimas páginas, ou melhor, horas -- porque eu ouvi o audiobook e não podiam ter escolhido melhor narrador do que o Craig Wasson -- já nem me apetecia ir trabalhar e acordava mais cedo e deitava-me mais tarde para poder ler "só mais um bocadinho"...
Recomendo!
A minha primeira recomendação de não-ficção é um livro que explica a a genética de forma fácil e muitíssimo divertida. Olhos azuis vs. castanhos, esquerdinos vs. destros, e o que raio é a trissomia 21, tudo explicado no meio de gargalhadas como se estivessemos sentados na mesa de um café.
Outro livro de não-ficção, desta vez sobre estatística. Este livrinho de pouco mais de 150 páginas apresenta de forma muito clara e acessível os mais diversos exemplos de manipulação de dados (muitos deles absolutamente hilariantes) que empresas, governos ou revistas nos impingem.
Eu, que adoro mensagens subliminares, teorias da conspiração ou simplesmente ler nas entrelinhas, adorei este livro!
PS - meses depois de o ter lido, descobri que este livro foi recomendado pelo Bill Gates no verão de 2015! :-)
Mas depois emperrei, perdi a vontade, perdi mais tempo no BookTube e no Instagram do que a ler.
Quando veio a mudança de França para a Holanda, tudo o que eu queria era ter a certeza que a mobília não se tinha perdido algures na Europa e arranjar um apartamento para estabilizar.
Novo apartamento, novo trabalho, nova vida... Tive de esperar que uma nova rotina se instalasse e nessa altura já eu ia com 6 livros de atraso e estavamos em Novembro!
Mas aqui estão os meus "melhores" de 2016:
"11/22/63" do Stephen King
Mr. King continua a ser um génio da escrita! O homem lê muito, faz imensa pesquisa e ninguém consegue agarrar um leitor aos seus livros como ele...
Incrível!
Este livro retrata um professor de inglês que descobre uma forma de voltar atrás no tempo e decide tentar impedir a morte de Kennedy. Adorei o livro, adorei as descrições do Maine nos anos 50 e 60, adorei a forma progressiva como nos aproximamos do dia 22 de Novembro de 1963 e o quanto aprendi em relação à história dos EUA. Nas últimas páginas, ou melhor, horas -- porque eu ouvi o audiobook e não podiam ter escolhido melhor narrador do que o Craig Wasson -- já nem me apetecia ir trabalhar e acordava mais cedo e deitava-me mais tarde para poder ler "só mais um bocadinho"...
Recomendo!
"What´s on your genes?" da Katie McKissick
A minha primeira recomendação de não-ficção é um livro que explica a a genética de forma fácil e muitíssimo divertida. Olhos azuis vs. castanhos, esquerdinos vs. destros, e o que raio é a trissomia 21, tudo explicado no meio de gargalhadas como se estivessemos sentados na mesa de um café.
"Como mentir com a estatística" do Darrell Huff
Outro livro de não-ficção, desta vez sobre estatística. Este livrinho de pouco mais de 150 páginas apresenta de forma muito clara e acessível os mais diversos exemplos de manipulação de dados (muitos deles absolutamente hilariantes) que empresas, governos ou revistas nos impingem.
Eu, que adoro mensagens subliminares, teorias da conspiração ou simplesmente ler nas entrelinhas, adorei este livro!
PS - meses depois de o ter lido, descobri que este livro foi recomendado pelo Bill Gates no verão de 2015! :-)
Autor de Janeiro - Meg Howrey
A primeira razão para escolher Meg Howrey como autora do mês é por ter começado a ler "The Cranes Dance". Já tinha visto uns comentários muito muito positivos em relação a este livro, e quando o vi disponível na Biblioteca nem hesitei. E ainda bem, porque está a ser fascinante!
A segunda razão é porque a escrita é daquelas raras, que tem a capacidade de me transportar para os ensaios de ballet em Nova Iorque e de me fazer dançar em pontas...
A terceira razão é porque o seu novo livro "The Wanderers" tem data de lançamento prevista para 14 de Março. Dizem por aí nos blogs, podcasts e até no Goodreads que "The Wanderes" é uma mistura do "The Martian" (awesome!) com "Station Eleven" e com menos de 100 votações, já soma uma média de 3.75 estrelas no Goodreads... Not bad!
14 de Março já está marcado na agenda!
O que eu quero para 2017...
Depois de um ano de extremos como foi 2016... início e fim, vida e morte, medo e coragem... o que eu quero para 2017 é que as mulheres nunca deixem de sonhar.
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